A Polícia Federal iniciou uma investigação sobre a invasão do sistema nacional de notificações de desastres da Defesa Civil Alerta. O incidente resultou no disparo de mensagens falsas para milhões de celulares em diferentes regiões do Brasil entre a noite de sexta-feira, 19 de abril, e a madrugada de sábado, 20. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, comunicou o ocorrido e informou que a plataforma foi retirada do ar preventivamente.
De acordo com a pasta, a principal linha de investigação aponta para um ataque hacker coordenado. O caso foi repassado à Polícia Federal para apurar a autoria e a extensão da ação. A secretaria informou que trabalha para restabelecer o serviço do Defesa Civil Alerta somente "quando todas as condições de segurança forem restabelecidas".
Durante a invasão, foram emitidas dez notificações distintas. O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, detalhou que "nove mensagens foram emitidas pelo Cell Broadcast [sistema implantado em 2025] e uma pelo sistema SMS [utilizado desde 2014 e substituído no ano passado]". As mensagens começaram a ser disparadas por volta de 1h30 da madrugada, com notificação sonora na categoria de "alerta extremo", reservada para situações de desastre iminente. O conteúdo dessas notificações continha apenas a palavra "misantropia", que significa aversão ou ódio à humanidade.
Conforme apuração, os disparos ocorreram entre 23h41 de sexta-feira e 1h23 de sábado, atingindo usuários em ao menos sete estados e no Distrito Federal. Entre as localidades com registros de recebimento estão Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Essas cidades somam uma população de cerca de 30 milhões de pessoas. Houve também relatos em outros municípios menores de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
O sistema Defesa Civil Alerta é uma ferramenta utilizada para o envio de mensagens sobre desastres naturais e eventos climáticos extremos em áreas de risco, como alagamentos, visando a comunicação imediata à população. Para receber os alertas, não é necessário cadastro prévio, e as mensagens são enviadas automaticamente para celulares compatíveis com redes 4G e 5G, conforme a cobertura de sinal. O "alerta extremo" é o nível mais grave e é configurado para soar mesmo com o aparelho em modo silencioso. A tecnologia passou por testes de implementação em setembro do ano passado.
A Polícia Federal prossegue com a investigação para identificar os responsáveis pelo ataque e determinar a extensão total dos danos. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil segue monitorando a situação e trabalhando para restabelecer a segurança e a integridade do sistema, um serviço considerado essencial para a prevenção e resposta a emergências no país.











